Reciprocidade
olhem o que vem
Passa o trem
o ônibus
o carro
Passa gente
amontoado
de risos
e choros
Amontoado
de si
ou vazio
ou mais ou menos
ou tudo
ou nada
ou desimportante
ou você
ou eu
ou quem
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Incandescência
A luz irradia
A face
Sei mais
do que acho
Menos
do que penso
A ideia
vem sem direção
Segura, arrasta
e deixa
Pouco fica
e é tudo
Vejo de novo
novamente
Claridade
A face
Sei mais
do que acho
Menos
do que penso
A ideia
vem sem direção
Segura, arrasta
e deixa
Pouco fica
e é tudo
Vejo de novo
novamente
Claridade
sábado, 17 de setembro de 2016
Negligenciado
Negligenciado
De lado
Fora de uso
Deixado
para trás
No vão
Na beira
No meio
Na margem
Encostado
Arrimado
Vituperado
Pisado
A quem quiser
Desejar
Procurar
Estimar
Neglicenciado
De lado
Fora de uso
Deixado
para trás
No vão
Na beira
No meio
Na margem
Encostado
Arrimado
Vituperado
Pisado
A quem quiser
Desejar
Procurar
Estimar
Neglicenciado
sábado, 10 de setembro de 2016
Dizeres
Dizer muito
e o que fica?
Chão não ultrapassa
o inteiro
Perde-se quem
inexiste
onde está
Disperso
Falo
quando pergunto
Digo
quando calo
Perto está
quem está
próximo
do sonho
e o que fica?
Chão não ultrapassa
o inteiro
Perde-se quem
inexiste
onde está
Disperso
Falo
quando pergunto
Digo
quando calo
Perto está
quem está
próximo
do sonho
Fala
Silêncio. Não ouço sua voz. De onde vem esta vontade de estar audível? Sintonizamos em palavra para marcar presença. O turno é o poderio desvairado. Não quero saber a vez mas anseio o momento. Não posso dizer quando vou sentir em mim a erupção da fala.
_Te digo. Pode repetir?
_Como assim? Preste atenção.
_Somente te dou meu sorriso porque não quero te dar meus ouvidos.
_Não vou dizer nada!
_Então não diga. Tchau.
_Vá à merda. Adeus.
Um dia a mais e quem saberá lidar com os bons modos da relação humana?
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
O tempo bate na janela
O tempo bate na janela
Suave o vento entra
Resfria mãos cálidas
que tateiam o ar livre
Pudera partir de casa
e encontrar outra morada
A cada dia e a cada noite
Sopra a vida em todos
Fecha as cortinas longas
Há de saber o que fica
Por isso, muda e não sabe
já não é o de há pouco.
Suave o vento entra
Resfria mãos cálidas
que tateiam o ar livre
Pudera partir de casa
e encontrar outra morada
A cada dia e a cada noite
Sopra a vida em todos
Fecha as cortinas longas
Há de saber o que fica
Por isso, muda e não sabe
já não é o de há pouco.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Choro
Lágrimas caem
compassadamente
Altas vertigens
se formam à frente
O que vês que
não podes tocar?
Ao longe chega
uma voz que canta
O som mistura-se
e perde-se a linha
Estás onde não foste,
Vais sem que estiveste.
compassadamente
Altas vertigens
se formam à frente
O que vês que
não podes tocar?
Ao longe chega
uma voz que canta
O som mistura-se
e perde-se a linha
Estás onde não foste,
Vais sem que estiveste.
Chuvisco
Chove assaz
na rua
em casa
no chão
Pingos juntam-se
estremecidos
formam poesia
Barulho
ao longe
de cima
por baixo
Ameniza-se
ao redor
cessa, pára
Acaba
na rua
em casa
no chão
Pingos juntam-se
estremecidos
formam poesia
Barulho
ao longe
de cima
por baixo
Ameniza-se
ao redor
cessa, pára
Acaba
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