Para acalentar o coração
levo a esperança comunhão
Ao fechar e abrir tendão
vejo o mundo em profusão
Respirar que entoa canção
permanente pulsa pés e mãos
enquanto não cessa a visão
conversa de ontem e antemão
sábado, 31 de dezembro de 2016
sábado, 24 de dezembro de 2016
Chega o dia e vem a noite
Chega o dia
e vem a noite
Compasso
até o fim
Faço hoje
e amanhã
Ontem fiz
Não mais
Abrir estrelas
na escuridão
Faíscam, vão
pela imensidão
Escuro a dormir
Abrem-se os olhos
A vida move
e compartilha
e vem a noite
Compasso
até o fim
Faço hoje
e amanhã
Ontem fiz
Não mais
Abrir estrelas
na escuridão
Faíscam, vão
pela imensidão
Escuro a dormir
Abrem-se os olhos
A vida move
e compartilha
sábado, 17 de dezembro de 2016
Pode ser diferente
Pode ser diferente
o que nunca foi igual?
As águas passam
sem perguntas
Onde indaga-se?
Necessário.
Sabe-se quando?
Diga-me.
Foi um rio lívido
Não será o mesmo?
Questiona-se o que vê,
mas vê-se o todo?
Tudo já foi um pouco
Perdem-se no alfabeto
A vida é mais do que palavras
Apronte-se a mais um evento
o que nunca foi igual?
As águas passam
sem perguntas
Onde indaga-se?
Necessário.
Sabe-se quando?
Diga-me.
Foi um rio lívido
Não será o mesmo?
Questiona-se o que vê,
mas vê-se o todo?
Tudo já foi um pouco
Perdem-se no alfabeto
A vida é mais do que palavras
Apronte-se a mais um evento
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Letras tristes na felicidade
Em meio a letras tristes
Latente está a poesia
Muda o pranto ao riso
Ao contemplar o redor
Há quem diga ser feliz
Onde se esconde a alegria?
senão no viver de cada um
quando ampara o céu azul
Nos mistérios que se acha
Não há ânsia de respostas
A totalidade não foi catalogada
Há que descobrir própria estrada
Despede-se o presente ao futuro
O passado emerge no relógio
Lançado o hoje, agora, já
só há uma linha sob controle
Latente está a poesia
Muda o pranto ao riso
Ao contemplar o redor
Há quem diga ser feliz
Onde se esconde a alegria?
senão no viver de cada um
quando ampara o céu azul
Nos mistérios que se acha
Não há ânsia de respostas
A totalidade não foi catalogada
Há que descobrir própria estrada
Despede-se o presente ao futuro
O passado emerge no relógio
Lançado o hoje, agora, já
só há uma linha sob controle
Passará passarinho
O amor passou
não era amor
A bondade passou
não era bondade
O querer passou
não era querer
A disposição passou
não era disposição
A amizade passou
não era amizade
A gratidão passou
não era gratidão
O perdão passou
não era perdão
O apoio passou
não era apoio
O entusiasmo passou
não era entusiasmo
A vida passou
não era vida
Tudo passou
Eu não
não era amor
A bondade passou
não era bondade
O querer passou
não era querer
A disposição passou
não era disposição
A amizade passou
não era amizade
A gratidão passou
não era gratidão
O perdão passou
não era perdão
O apoio passou
não era apoio
O entusiasmo passou
não era entusiasmo
A vida passou
não era vida
Tudo passou
Eu não
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Antes tarde do que nunca
Antes tarde
do que nunca
e por isso
aqui escrevo
Momento
todos têm
a seu modo
a seu prazer
Questão
quando você
é feliz
onde
Acendeu
feito estrela
a ir ao breu
ou sobre o mar
Chegue a si
Chegue a mim
Sinta a vida
vivendo
do que nunca
e por isso
aqui escrevo
Momento
todos têm
a seu modo
a seu prazer
Questão
quando você
é feliz
onde
Acendeu
feito estrela
a ir ao breu
ou sobre o mar
Chegue a si
Chegue a mim
Sinta a vida
vivendo
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Tarde
Nas horas agudas,
tilinta a vida
Há que jogar a roda
dançar cantiga
Passo à frente,
todos atrás
Solitária face,
volta-se a si
Perdeu o tempo
Errou o espaço
Dão-lhe as mãos
e despedem-se
No amplo vão
descompasso
há que ir
encontrar
Outro dia,
outra hora
a vez permite
recomeçar
tilinta a vida
Há que jogar a roda
dançar cantiga
Passo à frente,
todos atrás
Solitária face,
volta-se a si
Perdeu o tempo
Errou o espaço
Dão-lhe as mãos
e despedem-se
No amplo vão
descompasso
há que ir
encontrar
Outro dia,
outra hora
a vez permite
recomeçar
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
A vida
Engana-se quem tudo sabe
Viver é feito de mistérios
Não há todas as respostas
para todos apontamentos
Indaga-se e assim nascem
estrelas por todo caminho
Iluminam as veredas nascentes
que ultrapassam as margens
Aquece carinho mãos úmidas
Lágrimas secadas de tanto andar
Acalento da voz conhecida
sentida no mais íntimo peito
Quebra, rompe, destrói
Aí vem diletante renovo
Salta aos olhos a alegria
Recomeçar sobre escombros
Viver é feito de mistérios
Não há todas as respostas
para todos apontamentos
Indaga-se e assim nascem
estrelas por todo caminho
Iluminam as veredas nascentes
que ultrapassam as margens
Aquece carinho mãos úmidas
Lágrimas secadas de tanto andar
Acalento da voz conhecida
sentida no mais íntimo peito
Quebra, rompe, destrói
Aí vem diletante renovo
Salta aos olhos a alegria
Recomeçar sobre escombros
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Guerras
Milhões de mortos
Mortos pela faca do ódio
Mortos por tampar a boca
Muitos incontáveis
Corpos
Espalhados no chão
Pelos ares
Sem visões
Sem tato
Mortos pela faca do ódio
Mortos por tampar a boca
Muitos incontáveis
Corpos
Espalhados no chão
Pelos ares
Sem visões
Sem tato
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Andanças
Parte do ponto ao alvo
Pés calejados do tempo
Nova cada passada
Unhas encravados do vento
Cabelos aos ares livres
presos pela materialidade
Enfeitam, erigem brilho
ao longo da fútil estrada
Mãos compassadas constroem
projeto de vida sentida
por olhos porosos debutantes
do girar mapeado bestial
O corpo perde-se em espaço
Quem ganha quando caído?
Levantar-se e chegar ao porto
Pronto para frutuosa viagem
Pés calejados do tempo
Nova cada passada
Unhas encravados do vento
Cabelos aos ares livres
presos pela materialidade
Enfeitam, erigem brilho
ao longo da fútil estrada
Mãos compassadas constroem
projeto de vida sentida
por olhos porosos debutantes
do girar mapeado bestial
O corpo perde-se em espaço
Quem ganha quando caído?
Levantar-se e chegar ao porto
Pronto para frutuosa viagem
terça-feira, 1 de novembro de 2016
A vida desperta
O dia abre a janela
Entra luz na casa
O quarto iluminado
Olhos clareiam a escuridão
Vai, parte, longe vai
o medo de pisar firme
Há de agir e querer
transformar dor em alegria
Cabeça à frente, coração ao lado
Juntos grãos formam a margem
Há de lançar-se além da beira
E contemplar o outro lado
Chega-se a cada dia no alvo
Quem ultrapassa o limite
E volta para dizer que o percurso
Não precisa ser solitário
Entra luz na casa
O quarto iluminado
Olhos clareiam a escuridão
Vai, parte, longe vai
o medo de pisar firme
Há de agir e querer
transformar dor em alegria
Cabeça à frente, coração ao lado
Juntos grãos formam a margem
Há de lançar-se além da beira
E contemplar o outro lado
Chega-se a cada dia no alvo
Quem ultrapassa o limite
E volta para dizer que o percurso
Não precisa ser solitário
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Veraneio
Deveras, o mundo é
movimento. O girar da vida tem engrenagem própria e não somos nós quem
colocamos o ponteiro no relógio. Por mais que digamos a hora, não temos certeza
do que acontecerá a um segundo. A roda nos põe em movimento, no entanto, estamos
no lado do carona. Podemos estar com as mãos no volante, mas todo o restante
está no vazio. Não podemos abarcar o veículo todo.
Mês
de março, em ensolarado dia. A matinê de estudos começou como ocorrido nos dias
precedentes. Início de semestre. Exatamente sexta-feira. Orlando despede-se dos
pais rapidamente para conseguir pegar o ônibus que tanto demora a passar, caso
perca o horário pontual, diferente a cada dia. Minutos a mais, alguns segundos
a menos. Apressar os passos e ir ao encontro da vida. Logo chegará à faculdade
e, assim, encerrará o ciclo. Só porque hoje é sexta-feira, ele pode saborear
aguçado a vinda do final de semana.
Pronto.
Ruas e avenidas engarrafadas. Orlando fez baldeação para a próxima condução.
Passa o tempo. Agora salta em frente à Faculdade. Deve atravessar a via.
Tenho que ir à biblioteca antes de tudo. Não
quero pegar, nem de longe, a fila do horário vago.
Começa
a andar apressado pela calçada. Mas, correr, para quê? Vou chegar mais cedo
ou mais tarde. Estou de cara com o prédio.
Suaviza
o passo quando já se encontra diante da faixa de pedestres. Parte em direção à
faculdade.
Automóveis,
carretas, motos, vans, caminhões e ônibus vão de um lado ao outro.
*
Os
passos suaves trotam em cadência malemolente. A velocidade condensa o fluxo dos
pensamentos. Logo de manhã, o ininterrupto agir é ponderado pela sonolência
existencial. Devemos cumprir os compromissos.
A
velocidade da vida traga a cada um de nós e não podemos fugir dela. A calma
advém mais da consciência da caminhada do que da certeza da chegada. O trotar
pode ser compassivo no enleio, mas, descomunal, pode levar qualquer um ao caos,
à perda e à desgraça.
Quero chegar logo! A mudança abrupta
impele passos corredios. Orlando atravessa a rua ensimesmado, com a vontade
brusca insurgente. A vida é uma via de mão dupla. Ele chega à metade da
travessia. Sinal vermelho. Espere. O celular toca. Na ação cotidiana, responde
à chamada. Um grupo estudantil atravessa a rua e ele vai tardio. Resvala-se na
calçada, quando, em cheio, um pequeno caminhão branco lança-se de encontro ao
corpo. Olhar turvo. Tudo torna-se uma mancha negra. Choque frente à frente. A
máquina veloz dilacera as esperanças de Orlando chegar à calçada, à biblioteca
e ir assistir à aula.
A
alvura vista dispende-se no poço avermelhado junto ao corpo. Meias brancas
revelam a força do hábito.
— Meu Deus, ele está
muito mal!
— Que batida horrível!
— Atropelamento em
frente à faculdade, eu nunca vi!
— O sinal estava
vermelho ou verde?
— Chamem os bombeiros!
— Anotem o número da
placa!
— Minha nossa, ele
ainda está vivo?
— Alguém sabe quem ele
é?
Orlando. Achegam-se
pessoas impelidas pelo impacto. Uma vida desfalece pouco a pouco. A todo tempo,
morremos e vivemos.
*
A
turba enlouquece em momentos graves. Uma jovem procura os tênis lançados ao
longe pela colisão. Encontra somente um, colocando-o perto de Orlando. Procuram
o celular dele, mas ninguém consegue achá-lo. Culpam-no imprudente, apressado e
desleixado.
Chegam
os bombeiros que pedem espaço para o corpo. O cuidado gera temor. A aglomeração
se afasta. Com o jovem carregado, ela se dispersa. O sopro contínuo não cessa.
Suspiro.
*
A pausa precede e
procede a ação. Na teia vital, ela é o momento em branco, em que cada um leva
ao máximo aquilo que é. Recluído em si, cada um pode ir mais longe, ouvir mais
alto o recôndito, quebrar as amarras que impedem um passo a mais. A pausa é
concentração e tem movimento e velocidade em diálogo. Ela irrompe na mente que
trabalha incessantemente, velando e revelando a incógnita da vida. O corpo
humano nunca para e, quando para, já não há pausa, ou melhor dizendo, há a
infinita pausa.
Hospital. Debaixo do
lençol, acima da maca, tudo é veraneio, tudo é escuridão. Inerte, o pulso
pulsa, com tubo, sonda e cateteres. Novo caminho, nova direção.
Segundo contado na
ampulheta. Medicação na veia. Sedativo, analgésico. Mais um minuto, mais um
cilindro. Quarto vazio, corpo na cama. Porta fechada, venezianas cerradas. Ar
condicionado ligado, paredes brancas.
Orlando encontra-se
deitado, após duas semanas do acidente. Escuta o som longínquo dos pássaros da
redondeza. Reconhece que pode ouvir ainda. Os ruídos despertam-lhe sensações.
Uma fenda se abre e surge sorridente Sofia. Há quanto tempo não se nutre de seu
sorriso? Aparece a faculdade, precisamente o pátio central arborizado, e o
grupo de amigos. O saber se constrói no compartilhamento de experiência. A
troca maior é dar-se e receber o outro. Amizade. Há quanto tempo não vê
ninguém?
A marcha da vida leva-o
à sala de aula, sentado ao lado da amiga, no primeiro dia do curso.
Conheceram-se e a empatia vingou a cada dia mais. Cresce em nós aquilo que
cultivamos no outro. Lembra-se do dia em que ficaram à tarde na biblioteca e
descobriram que precisariam de pouco tempo para que o sorriso de um dialogasse
com o do outro, transformando-se na marca intransponível à passagem do tempo e
do espaço. Estamos no redemoinho, arrolhados por todos os lados por impressões
fugidias e marcados pelos afloramentos dos sentidos. Reconstruímos a nós e aos
outros no turbilhão veloz da existência. A chegada tênue e amena mostra mais o
controlável descomunal empenho de conseguir sair da batida do que sair ileso do
acidente. O riso iminente e eminente.
E pensar que, ao final,
a despedida é o prenúncio de um novo dia, infunde-nos a verdade que custa a
martelar em nossa mente: antes do fim, sempre haverá uma nova oportunidade. A
mochila nas costas é o início da viagem, muitas vezes esquecida pelo ir e vir
cotidiano e mensurado pelo cronômetro, ao invés de ser temperada pelo
deslocamento percorrido entre a rede incutida em nós. Despedem-se como se o
hoje se bastasse. Cada um segue a sua via. Quem sabe, no futuro, as trilhas
convergirão ao ponto comum: o reencontro? Os pássaros calam-se e o silêncio
aclara que a solidão nos faz crescer para todos os lados.
*
A
rua movimentada e o trânsito caótico. A correria habitual é uma enxurrada
cortada por passos cumpridores de deveres e de fazeres. A pressa não preza pelo
acabamento das solas dos pés no chão. A visão atrofiada enxerga o próximo, o
imediato, o metódico e não se abre para o horizonte que se forma a cada passada
dada. É um dia de inverno e os agasalhos formam pequenos quadros, em profusão
de cores, de formatos, de tecidos e de tamanhos, com odores variados. Já pensou em biografar a história de cada
casaco a partir do cheiro?
A conjuntura pode dizer
muito, mas tudo não pode ser falado. Há o espaço em branco, o gorro que falta,
a manga mais curta ou o botão que caiu e não se sabe onde. O gélido vento
penetra no rosto, deixando as bochechas rosadas. O que pensar da face corada e coroada pelo obscurecimento? O céu
cinza, altamente carregado, é espaçado pela chuva, torrencial e forte. Mas tenho que chegar ao meu destino.
Orlando continua
na calçada. É um transeunte a mais. Segue o rumo e vê as lojas vazias com as
portas abertas. É cedo. É dia de semana. Não há feriados comemorativos de
homenagem próximos. Mas as pessoas vêm e vão para os compromissos. A maior
omissão, no entanto, é esquecer-se de si em qualquer habitação e deixar as
portas e janelas fechadas. E se tivesse
feito outro caminho?
As árvores frondosas
balançam ao longo das calçadas, relembrando a frieza sentida nas ruelas. O dia
enegrece e o balanço da natureza confunde-se com o arrepio da temperatura
baixa. Os rostos congelados mostram-se impassíveis à criança que, correndo,
tenta pegar os pombos na entrada da praça. Os bancos, com pingos de chuva,
estão solitários. Hoje não há lugar para jogatina. O que será que o time dos idosos está fazendo?
O
jovem segue o rumo pelo itinerário que não é o habitual. Olha para os dois
lados e vai atravessar a rua na faixa de pedestres. Quando está no meio da via,
um violinista, que está tocando na esquina da rua à direita, chama sua atenção.
Ele se vira rapidamente em direção do músico, e, nesse momento, uma moto o
atropela. Orlando salta pelos ares e cai estático no chão.
O
sol entra pela janela, mas Orlando ainda dorme.
*
A
vida é passagem. Entramos e saímos por diversas portas, sem termos plena
convicção do que está acontecendo no outro lado. Atravessamos dias e os solos
fazendo novos caminhos, pois nunca nossos pés deambulam, pisam e avançam,
exatamente igual, cada espaço percorrido. Um dia o pé direito pisa primeiro o
lance de escadas. Em outro prédio, lança-se o esquerdo antes, e, mesmo assim,
eles não calcam o mesmo trecho do chão. Nada é exatamente igual ao ser único.
Orlando
abre os olhos e sente uma assaz fisgada no coração. Somente há tempo de olhar
para a janela e ver o céu azul.
Morri.
Respirei.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Despontar no dia
Percebo o dia que se aproxima
À madrugada vindoura
Lentamente vou à janela
Contemplo o horizonte longínquo
Na rua, poucas pessoas despontam
O sono cai sobre os joelhos
Acordado está quem tem propósito
e caminha para encontrar seu ponto
Onde há enxame há mel
Seria bom se fosse para todos
Quem procura a si na multidão
Acha-se quando se descobre outro
À madrugada vindoura
Lentamente vou à janela
Contemplo o horizonte longínquo
Na rua, poucas pessoas despontam
O sono cai sobre os joelhos
Acordado está quem tem propósito
e caminha para encontrar seu ponto
Onde há enxame há mel
Seria bom se fosse para todos
Quem procura a si na multidão
Acha-se quando se descobre outro
Rapidez
O que foi
Não é
Entendido
já foi
Próximo lugar
Chega
Tato ao sabor
Descobrir
Mostrar-se
Apareceu
Sabido é
Nova trilha
Direção
Não é
Entendido
já foi
Próximo lugar
Chega
Tato ao sabor
Descobrir
Mostrar-se
Apareceu
Sabido é
Nova trilha
Direção
domingo, 16 de outubro de 2016
O zum zum zum
Quebrar o silêncio requer
habilidade para não ser um pé no saco. Um ah mal dado e um sim incômodo podem
romper o cristal da benevolência. Onde estarão guardados os bem-estar para
pessoas gentis? Por onde andarão os educados do bom dia? Aonde vão os
prestativos da condução cotidiana? O gesto quebra o silêncio e nos leva para
longe da afasia.
― Falo de mim porque não
vou conseguir falar dos outros.
―Sério? Você acha normal
quem fala dos outros e não fala de si mesmo?
―Pode ser falta do que
fazer. Falta do que falar.
―É mais cômodo apontar o
dedo do que ver o próprio umbigo.
―Você viu o que aconteceu
com o Leonardo?
―Não falei?...
*
Abriu a porta. Saiu de
casa. E deu de cara com a rua. Cara, esqueci de ligar para o Seixas. Sorriu de
antemão, o dia começou agora. Nada pode ser tão difícil de ser mudado mais do
que o vício. Cigarro de atraso parou sua vida. Poderia fazer respiração prende
e solta, mas não conseguia. Seus passos são distantes e nem vê quem caminha ao
lado. Preso em si, não consegue ver o outro. Outro quem além de mim? A cada
trecho percorrido, perdia-se das amarras do passado. Não vou ver mais aquela
puta.
*
Hora do almoço. Metade do
dia se foi e não conseguia listar o que fez e nem catalogar cada ato realizado.
Faltaria-lhe a sensatez de ouvir os momentos agudos? Não conseguia ler as
páginas em branco. De um lugar para outro, despencava-se preso pelo fio da
imediatez: tudo para agora; quero hoje; o resto é para depois. Sempre para
depois. O que o move é o instante. Nele se vai. Acordar. Tomar banho. Escovar
os dentes. Dormir. Beber. Comer. Não se atém ao respirar, ao ver, ao falar.
Ação depois de ação. Ação. Ação. Ação. O ponto de contato é o pular de uma
pedra a outra. Aonde quer chegar? O que quer construir? Quando vai estar pronto
o atalho? Quais teias irromperão para romper o espaço? Sensibilidade?
*
Golpe súbito na porta. O
tempo fechou. Sabia o que podia ver, ou melhor, o que acontecia à sua frente e
olhava. Seus olhos não eram belos, somente imediatos. A trivialidade fazia-lhe
abrir caminhos cujos percalços eram reprimidos. Dizia esquecê-los, mas
latejavam à sua mente até que resolvia ir para o videogame. O vício de não
saber agir imperava sua vida. Desejava o silêncio do esquecimento, mas não
podia com a enxurrada da derrota. A avalanche descia lentamente pelos
penhascos. Passava de fase e engatava a seguinte em um piscar de olhos. Um dia
após o outro, e tudo parecia tão normal. Nasci e cresci.
Automático, abriu os olhos
e viu a televisão ligada. Levantou-se do sofá e foi beber água. Copo na boca e,
ao olhar o fundo dele, lembrou-se de que amanhã seria seu aniversário. Lembrou-se
das bexigas coloridas que ajudava a encher para colocá-las nas paredes da sala
com sua mãe. Muitas crianças do prédio brincavam pela casa e pelo corredor do
prédio. Um ir e vir contínuos marcados pelo gosto dos refrigerantes e pelos
docinhos multicoloridos trazidos em bandeja. Os risos chacoalhavam a casa
inteira. Da sala à cozinha, o sorriso festejava a presença de cada um ao
virar-se para o outro. Não precisava de anedota. Nem piada. Nem nada. Saudade
irrompida de cada gole ingerido. Água translúcida e límpida. Fundo vazio.
Silêncio.
Quando acaba é inútil
querer amarrar-se nas construções destruídas. Não há paredes para poder
balançar-se na rede. Vai e volta continuadamente. O olhar fixo. Não há quadros
enfileirando as paredes. Não há rostos conhecidos. Partiram. Estão por aí ou já
foram. Não há campainha tocando a hora da brincadeira. Subir e descer correndo.
Pular das escadas. Jogar-se. Sentiu-se só e viu-se sozinho. Quem viria amanhã?
*
Desperta o dia. Irromper na luz, saltar a
poleira, ver o brilho do dia novo. Sem palavras. Poderia ter sido diferente?
Poderia. Poderia achar tudo igual? Poderia. Poderia querer mudança? Sim.
Deixara perpetuar, na mente, a música de domingo. A música do prelúdio da
adolescência. A música da infância. Como poderia perder aquilo que está lá, na
base de tudo? A subida nas árvores para pegar goiaba. A descida, na ladeira, de
rolimã. O papelão, no gramado, morro abaixo. Galardão do dia.
*
―Passa tudo, mané!
Virou-se. Porrada na cara
essa hora do dia? Judaria.
―Ei, anda cara! Raios. Absorto em pensamentos
não viu, e agora?
―Perdeu!
Estancou-se e firmou os
pés.
Puxaram-lhe a mochila e
nem viu quem era.
Caído no chão, olhos ao
redor. Viu prédios. Cinzas.
Levantou-se rapidamente.
Era mais de um.
Tiro.
Sentiu o sangue frio.
Correria.
Aproximaram-se.
―Por que estão fazendo
isso comigo?
Calou-se.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Perda
Gente, venho perdendo os escritos para postar no blog. Ficarei mais atenta em relação a isso. São muitas pastas, muitos lugares, muitos papéis. Tenho que me encontrar. Mais organização. Vem, memória.
domingo, 9 de outubro de 2016
Avalanche
Desceu morro abaixo, como uma bola,
visceralmente. Entre pessoas, becos e barracos, foi abrindo passagem. Chegou no
baixo e respirou. Arfando foi logo para o ponto de ônibus. Iria pegar o
primeiro que passasse. Não importa para onde, queria sair dali. Tinha que sair
dali. E lá vem ele... É esse mesmo!
Dia insípido azeda a vida, mas cada um é
quem coloca ou retira os condimentos que adoçam ou salgam os acontecimentos. Pode-se
andar em mares de rosas e assim espinhos acometerem os pés. E isso não faz
parte do caminho escolhido? A cada passo, um mundo se abre, e,
independentemente de qualquer um dos pés, surge uma via, duas, três (o quê
importa?), na qual, as possibilidades são delimitadas pelas escolhas. Sim,
todos somos adoções e eleições, pensando em que seria sorte e em que seria
azar.
Passos em retirada pela rua movimentada.
Pessoas iam e vinham sem olhar, ao menos, para os lados. Para dentro de si, nem
tudo é oásis, e, por isso, viam também os outros: o namorado que saiu do
trabalho à noite sem dar um telefonema, a mãe que deu o último iogurte ao filho
mais novo, a vizinha que disse que Anagildo corneou Inês e que antes mesmo Inês
corneou Anagildo, o pastor que ia passar mais tarde em casa, a menina que
amanhã vai completar 8 anos, o chefe que é a mesma merda de sempre. Ninguém
sequer olhou para os olhos de João Marcos. Ninguém lhe apertou a mão,
cumprimentando-o por tê-lo visto.
As lojas abertas recebiam os transeuntes
marcados pela demora. Demora em escolher, demora em comprar. A quem visse de
prima o objeto e o comprasse logo, em seguida, seriam dadas salvas de palmas.
João Marcos nada compraria, pois não iria às lojas; o caminho se fazia outro,
mas teve tempo de olhar o grande letreiro da lanchonete e pensar: Faz tempo que não como um hambúrguer.
Segundos, minutos, horas, dias, semanas e meses. Anos. Séculos. Deveria saber o
que muda e mesmo assim continua o mesmo. Deveria saber que há alimentos mais
apetitosos e saudáveis. Deveria saber o quanto é relativo o poder e o querer,
e, que, o dinheiro não pode comprar tudo, como a goiaba caindo da goiabeira.
Fácil seria pensar no que sonhar e lançar o
sorriso maroto aos quatro cantos. A compensação da vida não se dá com a
retribuição mas com o compartilhamento. Quanto mais ao longe chegasse, mais a
vida teria feito sentido. É assim que caminhava, mesmo sem saber se estava tão
perto que pudesse amenizar os passos, até estancar o corpo e contemplar o
raciocínio: Cheguei e devo ir de novo.
Os ambulantes tomavam a rua e o vitupério
descartável incendiava os pontos. De um lado ao outro, reduzia-se a calçada em
uma mão dupla. Não se pode parar quando se restringe a passagem ao ir e vir as
ações humanas. Ganha-se muito pouco para gastar-se somente pela partida e
chegada. Nesse ínterim, a vida acontece. Os produtos enchem os olhos de quem
está cunhado pelas marcas. De onde vem e para onde vai, não interessa a
ninguém. E as etiquetas? Penduricalhos das calçadas com prazo de validade
vencido.
Lançou um olhar ao redor. A redondeza tão
conhecida e, ao mesmo tempo, diferente. Poderia ir e vir milhões de vezes e não
saberia dizer o que mais lhe chamava atenção. Não por indecisão, mas por causa
de cada espaço que lhe cativava. Cada um tende ao gosto próprio.
Mais adiante, as pessoas rareavam. Não
havia o turbilhão de gente descompassada. Descompensava querer olhar para os
lados para ver quem quer que seja. Não lhe interessava saber quem chegava, mas
quem já ali estava.
Disparou-se pelas ruas estreitas, de
trânsitos intercalados. De cima abaixo, os prédios desbotados enfileiravam as
calçadas. Seguia o rumo, em alerta, não poderia passar do ponto marcado. Quando
o alvo é ultrapassado, nada a mais se espera, ainda que o praticamente
impossível ocorra. Poderia pensar que chegou a hora e não havia para onde se
esconder. No entanto, agia consciente e independentemente do que se poderia
pensar sobre ele.
_ Não nasci para ser capacho.
Reteve os passos e à direita viu um cego
ser guiado para atravessar a esquina por um jovem que se compadecei ao vê-lo
tatear o vento. Amenizou a feição endurecida pela ação solar, esquentando até o
último fio de cabelo.
_ Calor.
Era hora de agir.
Tocou-lhe o cotovelo
_ Ei, toma tua carteira. Está tudo aí.
_ Obrigado, cara.
Perto dele, pode-se ouvir:
_ Seu sujo.
Afastou-se com os olhos saltitando pelo mundaréu
que se formava à sua frente. Aplausos. Os que lá estavam somente olhavam
arrefecidos de onde se encontravam: da rua, dos bancos da praça, das janelas
das moradias e do comércio. No palco, estava ele e, a cada passada, o tapete vermelho
se abria, e caminhava incólume. Uma avalanche de aplausos chegou aos ouvidos,
dos camarotes pomposos, das laterais esquecidas, do meio fervoroso, do fundo
atônito e do gargarejo invisível. A cortina se abriu e lá se apresentava ele.
sábado, 8 de outubro de 2016
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Reciprocidade
Reciprocidade
olhem o que vem
Passa o trem
o ônibus
o carro
Passa gente
amontoado
de risos
e choros
Amontoado
de si
ou vazio
ou mais ou menos
ou tudo
ou nada
ou desimportante
ou você
ou eu
ou quem
olhem o que vem
Passa o trem
o ônibus
o carro
Passa gente
amontoado
de risos
e choros
Amontoado
de si
ou vazio
ou mais ou menos
ou tudo
ou nada
ou desimportante
ou você
ou eu
ou quem
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Incandescência
A luz irradia
A face
Sei mais
do que acho
Menos
do que penso
A ideia
vem sem direção
Segura, arrasta
e deixa
Pouco fica
e é tudo
Vejo de novo
novamente
Claridade
A face
Sei mais
do que acho
Menos
do que penso
A ideia
vem sem direção
Segura, arrasta
e deixa
Pouco fica
e é tudo
Vejo de novo
novamente
Claridade
sábado, 17 de setembro de 2016
Negligenciado
Negligenciado
De lado
Fora de uso
Deixado
para trás
No vão
Na beira
No meio
Na margem
Encostado
Arrimado
Vituperado
Pisado
A quem quiser
Desejar
Procurar
Estimar
Neglicenciado
De lado
Fora de uso
Deixado
para trás
No vão
Na beira
No meio
Na margem
Encostado
Arrimado
Vituperado
Pisado
A quem quiser
Desejar
Procurar
Estimar
Neglicenciado
sábado, 10 de setembro de 2016
Dizeres
Dizer muito
e o que fica?
Chão não ultrapassa
o inteiro
Perde-se quem
inexiste
onde está
Disperso
Falo
quando pergunto
Digo
quando calo
Perto está
quem está
próximo
do sonho
e o que fica?
Chão não ultrapassa
o inteiro
Perde-se quem
inexiste
onde está
Disperso
Falo
quando pergunto
Digo
quando calo
Perto está
quem está
próximo
do sonho
Fala
Silêncio. Não ouço sua voz. De onde vem esta vontade de estar audível? Sintonizamos em palavra para marcar presença. O turno é o poderio desvairado. Não quero saber a vez mas anseio o momento. Não posso dizer quando vou sentir em mim a erupção da fala.
_Te digo. Pode repetir?
_Como assim? Preste atenção.
_Somente te dou meu sorriso porque não quero te dar meus ouvidos.
_Não vou dizer nada!
_Então não diga. Tchau.
_Vá à merda. Adeus.
Um dia a mais e quem saberá lidar com os bons modos da relação humana?
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
O tempo bate na janela
O tempo bate na janela
Suave o vento entra
Resfria mãos cálidas
que tateiam o ar livre
Pudera partir de casa
e encontrar outra morada
A cada dia e a cada noite
Sopra a vida em todos
Fecha as cortinas longas
Há de saber o que fica
Por isso, muda e não sabe
já não é o de há pouco.
Suave o vento entra
Resfria mãos cálidas
que tateiam o ar livre
Pudera partir de casa
e encontrar outra morada
A cada dia e a cada noite
Sopra a vida em todos
Fecha as cortinas longas
Há de saber o que fica
Por isso, muda e não sabe
já não é o de há pouco.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Choro
Lágrimas caem
compassadamente
Altas vertigens
se formam à frente
O que vês que
não podes tocar?
Ao longe chega
uma voz que canta
O som mistura-se
e perde-se a linha
Estás onde não foste,
Vais sem que estiveste.
compassadamente
Altas vertigens
se formam à frente
O que vês que
não podes tocar?
Ao longe chega
uma voz que canta
O som mistura-se
e perde-se a linha
Estás onde não foste,
Vais sem que estiveste.
Chuvisco
Chove assaz
na rua
em casa
no chão
Pingos juntam-se
estremecidos
formam poesia
Barulho
ao longe
de cima
por baixo
Ameniza-se
ao redor
cessa, pára
Acaba
na rua
em casa
no chão
Pingos juntam-se
estremecidos
formam poesia
Barulho
ao longe
de cima
por baixo
Ameniza-se
ao redor
cessa, pára
Acaba
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Dançar
Vida maior
Convida
a cada dia
a dançar
de lá pra cá
Vamos
Alegria é som
Passos
Estamos bem
Bailarinos
do chão
Convida
a cada dia
a dançar
de lá pra cá
Vamos
Alegria é som
Passos
Estamos bem
Bailarinos
do chão
Verdejar
Verde chá
Verde árvore
Verde sentir
Verdejante
Ver de sempre
Ver de nunca
Ver talvez
Ver de ti
Verde árvore
Verde sentir
Verdejante
Ver de sempre
Ver de nunca
Ver talvez
Ver de ti
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Dizeres
Chamam-me
Não sei onde
Gritam-me
Mas não vejo
Jogam flores
no caminho
Estrelas coroam
_ o meu céu
Lágrimas caem
até o chão
Rios correm
sem direção
À frente,
segue a vida
O riso nasce
O pranto vem
Não sei onde
Gritam-me
Mas não vejo
Jogam flores
no caminho
Estrelas coroam
_ o meu céu
Lágrimas caem
até o chão
Rios correm
sem direção
À frente,
segue a vida
O riso nasce
O pranto vem
Luminosidade
Imagens formam-se
e o fio ressurge
Lembranças dizem
o que não foi visto
De novo, novamente
Perspectiva
Esfinge
Labirinto
Canções de outrora
tocam os sentidos
Inebrio de instantes
Fugidios
Abre-se a porta
Soltam o silêncio
Mas se sabe
ao saltar a luz
e o fio ressurge
Lembranças dizem
o que não foi visto
De novo, novamente
Perspectiva
Esfinge
Labirinto
Canções de outrora
tocam os sentidos
Inebrio de instantes
Fugidios
Abre-se a porta
Soltam o silêncio
Mas se sabe
ao saltar a luz
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Calmaria
Amo e sou calma
como a flor à beira do jardim
Não espero por ti
Nem por mim
Sou calma como a neve
Branca em sua solidão
Cai noite, entra dia
Permaneço
Ainda na tempestade
Quando há ventania
Meus olhos vidrados
admiram o horizonte,
perdem-se de vista
e ando na imensidão.
como a flor à beira do jardim
Não espero por ti
Nem por mim
Sou calma como a neve
Branca em sua solidão
Cai noite, entra dia
Permaneço
Ainda na tempestade
Quando há ventania
Meus olhos vidrados
admiram o horizonte,
perdem-se de vista
e ando na imensidão.
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Métrica
Métrica
pertence
Fala de si
quem é
Abertura
de vozes
e cantos
Encaixe de letras
de pausas
silêncio
pertence
Fala de si
quem é
Abertura
de vozes
e cantos
Encaixe de letras
de pausas
silêncio
Retribuição
Vida vem e chega
Resta ir e chegar
Deixa o salobro
poço da ignorância
Abre pétalas
a beleza persiste
em se mostrar
à noite, de dia
Troco errado
não é viver
mais nem menos
Exato
Resta ir e chegar
Deixa o salobro
poço da ignorância
Abre pétalas
a beleza persiste
em se mostrar
à noite, de dia
Troco errado
não é viver
mais nem menos
Exato
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Sincronia
Chega o tempo
O começo
Desponta
Adiante é ir
Alvo, alvo
Lança-se `
Permanece
Direções
Horas que vão
Pensar que fica
Retorno
Reinício
O começo
Desponta
Adiante é ir
Alvo, alvo
Lança-se `
Permanece
Direções
Horas que vão
Pensar que fica
Retorno
Reinício
Natureza
Brota o verde
onde a ninguém apraz
cresce, tornando-se
mais e mais
Ao ar, espalha
Aromas
Esverdeado
Capim, mata, grama
Pétalas ao chão
Multicores caminhos
Por onde for
Quando for
onde a ninguém apraz
cresce, tornando-se
mais e mais
Ao ar, espalha
Aromas
Esverdeado
Capim, mata, grama
Pétalas ao chão
Multicores caminhos
Por onde for
Quando for
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
domingo, 24 de julho de 2016
segunda-feira, 18 de julho de 2016
domingo, 17 de julho de 2016
domingo, 10 de julho de 2016
domingo, 3 de julho de 2016
Contínuo
Coleção de momentos
não é recordação
Encadeada
a memória emerge
Nasce o monumento
e o sabor
Aparece pelos ares
Lembrança.
não é recordação
Encadeada
a memória emerge
Nasce o monumento
e o sabor
Aparece pelos ares
Lembrança.
domingo, 26 de junho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Foi
O que se perdeu,
não encontrei
Perdi de mim,
não achei
Mudança sem fim,
não busquei
Mesmo assim,
não procurei
não encontrei
Perdi de mim,
não achei
Mudança sem fim,
não busquei
Mesmo assim,
não procurei
Vida
A vida é comum
apartidária
Enigma se não vives
Conhecedora de tempos
e espaços
Dilata e arrefece
os estreitos
Acalenta e destoa
dos ignorantes
A vida acontece
independente
apartidária
Enigma se não vives
Conhecedora de tempos
e espaços
Dilata e arrefece
os estreitos
Acalenta e destoa
dos ignorantes
A vida acontece
independente
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Passagem III
Avançam as horas
e tudo levam
O que fica
já não é
Renova-se manhãs
em dias
onde se pode
ser mais.
A cada ponteiro
Ergue-se monumentos
Descascados
pelo ir e vir
Perde-se o que não é
não foi nem será
Gira o mundo
em redemoinhos
onde se pensa estar.
e tudo levam
O que fica
já não é
Renova-se manhãs
em dias
onde se pode
ser mais.
A cada ponteiro
Ergue-se monumentos
Descascados
pelo ir e vir
Perde-se o que não é
não foi nem será
Gira o mundo
em redemoinhos
onde se pensa estar.
domingo, 29 de maio de 2016
quinta-feira, 26 de maio de 2016
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Mania
Cruzo portas
e fechaduras
Vou à rua
e caminho
Atravesso no sinal
com as pessoas
Sigo o rumo
e o ônibus
Olho pela janela
o mundo se move
Cruzo corredores
e paredes
e fechaduras
Vou à rua
e caminho
Atravesso no sinal
com as pessoas
Sigo o rumo
e o ônibus
Olho pela janela
o mundo se move
Cruzo corredores
e paredes
domingo, 10 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
sábado, 2 de abril de 2016
Passagem
Expectativas ao relento
Já não há o que existia
Despencam-se do alto
Ao chão não existem
Partida fugaz sem retorno
O que há de vir agora?
Não será o que foi e
nem persiste em existir
Palavras que forçam a noite
Não sabem onde estão
quem sem corrimão anda
esparcido e desviado de si
Faltou o diálogo? Faltou...
Não existe quem disfarça
e sente atravessada a vida
longe do que vê e fala?
Já não há o que existia
Despencam-se do alto
Ao chão não existem
Partida fugaz sem retorno
O que há de vir agora?
Não será o que foi e
nem persiste em existir
Palavras que forçam a noite
Não sabem onde estão
quem sem corrimão anda
esparcido e desviado de si
Faltou o diálogo? Faltou...
Não existe quem disfarça
e sente atravessada a vida
longe do que vê e fala?
sábado, 26 de março de 2016
Dia passa
Passa o dia
a cada hora
Não vejo
quem vai-vem
Ir e vir perene
Paredes desbotadas
Tinta fresca
Empenho ao novo
de cada olhar
Ver além de si
Noite chega ao Sol
Tudo ilumina
a quem sabe e é
a passagem
Caminho, vereda, chão
a cada hora
Não vejo
quem vai-vem
Ir e vir perene
Paredes desbotadas
Tinta fresca
Empenho ao novo
de cada olhar
Ver além de si
Noite chega ao Sol
Tudo ilumina
a quem sabe e é
a passagem
Caminho, vereda, chão
domingo, 20 de março de 2016
domingo, 13 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
De mim
Os números passam
e não chegam a quem sou.
Nunca poderão dizer-me
Mesmo se me medirem,
não há precisão...
e não chegam a quem sou.
Nunca poderão dizer-me
Mesmo se me medirem,
não há precisão...
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Perde-se o tempo
Perde-se o tempo quando não se vê o dia coisas de outras coisas Tanta chance por vir tanta gente por chegar momentos de lembranças A...
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Con cada separación remata unha parte longo camiño sen retorno alá onde vai non son o mesmo corpo son o mesmo
-
Revira a página Solta a palavra
-
I share words I receive words Some things arrive rife with feeling The other day I listen silences and now come texts I sear...